A desigualdade salarial de gênero vem sendo muito discutida nos últimos anos, o que não sugere que tenha havido alguma mudança muito significativa nessa questão, inclusive em relação a profissionais da medicina. A exemplo disso, no mercado da saúde, pouquíssimas mulheres ocupam cargos executivos.

Recentemente uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) apontou que existe diferença salarial entre profissionais da saúde de gêneros diferentes, mesmo para aqueles que realizam as mesmas funções durante a mesma jornada de trabalho.

Segundo os cálculos feitos pelos pesquisadores, 80% das mulheres da área da medicina ocupam as três classes de renda inferiores, enquanto 51% dos homens estão nas três faixas mais elevadas de rendimento. A 4ª edição da Pesquisa Demografia Médica no Brasil (2018) foi o que deu origem a tal estatística, e teve o apoio do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Com um amplo questionário onde as perguntas diziam respeito à localidade, gênero e idade, tais dados eram relacionados com suas atividades profissionais, ou seja, especialidade em que atuam, número de plantões realizados, jornada de trabalho semanal, entre outros.

Pelo fato de, em alguns casos haver uma leve diferença na jornada de trabalho entre um grupo e outro (o que poderia afetar a pesquisa), foi então criada uma nova comparação entre profissionais que tivessem uma jornada mais semelhante possível, onde foi constatado que, ainda assim, as mulheres recebem um salário menor do que os homens. Neste caso, não havia nenhuma outra justificativa que pudesse explicar tal diferença salarial, apenas o fato de os profissionais pertencerem a gêneros diferentes.

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A pesquisa também revelou que no mercado de trabalho, na área médica, há uma predominância do sexo masculino. Enquanto as mulheres ocupam 45,6% dos cargos da saúde, os homens fazem parte de 54,4%, o que seria o equivalente a mais de 60 mil indivíduos em uma contagem feita nesta pesquisa (já que 225.250 desses profissionais são homens, enquanto que apenas 189.281 são mulheres).

O fato é que essa diferença já vem de tempos, e infelizmente, pouco (ou nada) tem mudado. Em 2010, a Universidade de Melbourne, na Austrália, divulgou uma pesquisa onde cruzava profissionais da área de saúde em relação a tempo de experiência, área de especialidade e horas trabalhadas, e o resultado também desfavorecia as mulheres: a diferença salarial entre os gêneros chegava a 16%.

Segundo o orientador dos alunos de mestrado e doutorado no Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, o médico Alexandre Faisal, "Isso acaba gerando alguns problemas de saúde para a mulher, que ganha 77% de renda em comparação com o homem", afirma. "A desigualdade salarial é unicamente explicada pela questão do gênero. Um paradoxo, levando em conta que no Brasil há um número crescente de mulheres exercendo a profissão de médica ou que estão nas escolas de medicina", analisa Faisal.          

Fonte: SUMMIT SAÚDE | Jornal da USP