audio-thumbnail
Como ouro e grafeno podem transformar a medicina
0:00
/261.96

Materiais avançados como ouro e grafeno vêm despertando o interesse de pesquisadores em áreas como nanotecnologia, engenharia biomédica e medicina regenerativa. Um estudo recente demonstrou como essas tecnologias podem ajudar a controlar células cardíacas e abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos médicos mais precisos.

Em um estudo publicado na revista Science Advances, cientistas descobriram como controlar o batimento de células do coração humano cultivadas em laboratório utilizando apenas luz e grafeno. A descoberta pode contribuir para avanços em pesquisas cardiovasculares, testes farmacológicos e desenvolvimento de dispositivos médicos mais sofisticados.

Atualmente, medicamentos em potencial precisam ser testados em células cardíacas para garantir que não provoquem efeitos adversos, como alterações perigosas nos batimentos do coração. Essas células costumam ser cultivadas em recipientes de vidro ou plástico. No entanto, embora sejam úteis para pesquisa, esses materiais não conduzem eletricidade da mesma forma que o tecido cardíaco humano, tornando os testes menos realistas do que poderiam ser.

O grafeno é considerado um dos materiais mais promissores da nanotecnologia devido à sua capacidade de conduzir eletricidade, interagir com células biológicas e responder a estímulos externos como a luz. Além disso, ele apresenta baixa toxicidade, característica importante para aplicações biomédicas.

No estudo, os cientistas aprenderam a controlar com precisão a quantidade de eletricidade gerada pelo grafeno ao alterar a intensidade da luz aplicada ao material. Quando células cardíacas foram desenvolvidas sobre o grafeno, os pesquisadores também conseguiram controlar seu comportamento elétrico.

Experimento mostrando luz controlando células cardíacas através do grafeno. (Imagem gerada por IA)

Segundo Alex Savtchenko, físico da Universidade da Califórnia em San Diego e coautor da pesquisa, os pesquisadores conseguiram acelerar os batimentos celulares em diferentes intensidades.

“Poderíamos fazer com que os batimentos fossem uma vez e meia mais rápidos, três vezes mais rápidos, dez vezes mais rápidos ou qualquer frequência necessária.”

Essa capacidade permite que os cientistas façam o grafeno reproduzir padrões elétricos semelhantes aos observados em diferentes doenças cardíacas. Isso torna os testes de medicamentos mais precisos e pode acelerar o desenvolvimento de novas terapias cardiovasculares.

A tecnologia também pode contribuir para avanços em pesquisas cardíacas, permitindo simulações mais realistas para testes farmacológicos e estudos sobre o funcionamento do coração humano.

No futuro, Savtchenko acredita que esse método poderá ajudar no desenvolvimento de marcapassos mais modernos e menos invasivos. Atualmente, esses dispositivos dependem de eletrodos que podem causar irritações e cicatrizes nos tecidos ao longo do tempo.

“Em vez de eletrodos, poderíamos utilizar uma pequena estrutura de grafeno de longa duração conectada ao músculo cardíaco.”

Nesse cenário, o grafeno seria controlado por uma fonte de luz extremamente pequena implantada nas proximidades, reduzindo danos aos tecidos e melhorando a integração com o organismo.

Pesquisadores acreditam que materiais como o grafeno poderão desempenhar um papel importante na próxima geração de dispositivos biomédicos, especialmente em tecnologias relacionadas à estimulação elétrica de tecidos biológicos.

As aplicações futuras não se limitam à cardiologia. Estudos também investigam o uso do grafeno em áreas como neurologia, neuroengenharia e tratamento de doenças neurodegenerativas.

Aplicações futuras do grafeno em cardiologia e neurologia. (Imagem gerada por IA)

Segundo os pesquisadores, o material poderá futuramente ser utilizado para controlar sinais elétricos no cérebro e auxiliar em pesquisas relacionadas a doenças como Parkinson.

“O coração humano é incrivelmente resistente, mas ainda é apenas uma bomba.”

Embora ainda exista um longo caminho até a aplicação clínica dessas tecnologias, o estudo reforça o potencial do grafeno como um dos biomateriais mais promissores da medicina moderna.

À medida que áreas como nanotecnologia, bioengenharia e medicina regenerativa evoluem, materiais inteligentes capazes de interagir com células humanas podem contribuir para tratamentos mais precisos, dispositivos médicos menos invasivos e novas formas de compreender o funcionamento do corpo humano.

Fonte – Angela Chen para The Verge

Artigo atualizado em 29/05/2026