Criado em 2002 pela Childhood Cancer International (CCI), o Dia Internacional do Câncer Infantil é uma campanha de conscientização colaborativa, dedicada a destacar a necessidade crítica de um maior compromisso na luta contra o câncer infantil em todas as suas formas, em todos os países do mundo.

Um dos objetivos deste dia internacional de conscientização é promover uma maior compreensão dos desafios que as crianças com câncer enfrentam hoje. Além disso, a campanha destaca a necessidade de acesso mais equitativo a cuidados de saúde de alta qualidade e tratamento de câncer para crianças em todo o mundo.

Todos os anos, mais de 400.000 crianças e adolescentes com menos de 20 anos são diagnosticados com câncer. A taxa de sobrevivência depende da região, com 80% de sobrevivência na maioria dos países de alta renda, mas apenas 20% em países de baixa e média renda.

Mas afinal, o que é o câncer? Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), na verdade trata-se de um conjunto de doenças que tem em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos. O câncer não tem uma causa específica, e dependendo do tipo poderá ser resultado de uma série de causas externas (como do meio ambiente) ou internas (como hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas).

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer infantil é a segunda principal causa de morte na faixa etária entre um e 19 anos, e isso se deve ao fato de existir uma certa dificuldade em identificar a doença em seu estágio inicial. Além disso, os primeiros sintomas podem ser facilmente confundidos com sintomas de doenças comuns na infância, como viroses e resfriados. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

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Sintomas

A perda de peso contínua sem explicação costuma ser um dos sintomas, seguida de dores de cabeça e vômitos matinais. Outro sintoma comum é a presença de inchaço ou dor persistente nos ossos ou articulações, bem como hematomas excessivos, sangramento, ou até mesmo qualquer saliência cujo surgimento é geralmente repentino.

Febres recorrentes não causadas por infecções, palidez ou cansaço prolongado também são sintomas do câncer, bem como o desenvolvimento de mancha esbranquiçada na pupila. Este último, por exemplo, pode ser considerado um forte indício de retinoblastoma, um tipo raro de câncer que pode acontecer em um ou nos dois olhos.

Tipos de câncer infantil

  • Hepatoblastoma: é o mais comum tumor maligno que surge, primariamente, no fígado de crianças. Ocorre predominantemente abaixo dos três anos, sendo raro após o quinto ano de idade. É mais comum no sexo masculino.
  • Neuroblastoma: é um câncer que acomete principalmente as crianças menores de 10 anos, incluindo os recém-nascidos e lactentes. Geralmente surge nas glândulas adrenais, localizadas na parte superior do rim e leva normalmente ao aumento do tamanho do abdômen, mas também pode surgir em outras partes do corpo.
  • Osteossarcoma: é o tumor maligno ósseo mais frequente na infância e adolescência, comumente associado a dor local e alterações ósseas. Devido a sua maior prevalência ser nas pernas, a alteração na marcha é uma das principais queixas.
  • Rabdomiossarcoma: é um tumor maligno que surge de células que desenvolvem os músculos estriados da musculatura esquelética. Faz parte do grupo de sarcomas de partes moles, sendo o tipo mais comum na infância.
  • Retinoblastoma: é um tumor maligno originário das células da retina, que é a parte do olho responsável pela visão. Geralmente ocorre antes dos 5 anos de idade e pode afetar um ou ambos os olhos.
  • Sarcoma de Ewing: trata-se de um câncer altamente agressivo, e pode também surgir em tecidos de partes moles (músculos, cartilagens). Os avanços no tratamento levaram a uma melhora significativa dos resultados.
  • Tumor de Wilms: também conhecido como Nefroblastoma, é um tumor maligno originado no rim. É o tipo de tumor renal mais comum na infância e pode acometer um ou ambos os rins.
  • Tumores de células germinativas: representando 3,3% dos tumores malignos na faixa etária pediátrica, os TCGs são neoplasias (benignas ou malignas) derivadas das células que dão origem aos espermatozoides e óvulos. Podem ocorrer dentro das gônadas (ovários ou testículos), ou fora delas.
  • Tumores do Sistema Nervoso Central: os TSNCs ocorrem devido ao crescimento de células anormais no cérebro das crianças. Correspondem à segunda malignidade e ao tumor sólido mais comum na infância.

Tratamento

Atualmente, a criança com câncer pode ser curada na maioria dos casos, dependendo do tipo de câncer e do tratamento. Antes de iniciar o tratamento, é importante esclarecer durante as consultas ambulatoriais a forma correta de administrar os remédios e, ao iniciá-lo,  não esquecer de administrar os medicamentos para a criança nas doses e horários corretos.

A maioria das vacinas é contraindicada durante o tratamento de quimioterapia, mesmo as de campanha e as que são dadas pela boca. Por isso, a criança não deve ser vacinada sem o conhecimento e consentimento do médico responsável. Pelo fato de a imunidade da criança estar comprometida, é importante manter a higiene corporal, pois infecções em crianças com baixa imunidade podem tornar-se graves.

Assim que a criança inicia o tratamento, também é importante haver um acompanhamento odontológico. Caso utilize aparelho ortodôntico, deve retirá-lo no início do tratamento para evitar complicações como sangramentos e infecções.

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Fonte: Childhood Cancer International | INCA